O Príncipe da Névoa

Tem uma coisa que me acontece depois de ler muitos livros e que eu acho extremamente positiva. Consigo algumas vezes separar o autor da história, e foi isso que fiz com esse livro.

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Foi a primeira vez que li Carlos Ruiz Záfon, e acredito pela narrativa e pelo modo como ela conta essa história que ele seja um excelente escritor, mas a história em si não me agradou. Depois de ler voltei ao prefácio e vi que era uma história que ganhou um prêmio num concurso de histórias infanto-juvenis, então entendi um pouco a razão de não 

ter gostado tanto.

Esse foi o primeiro livro escrito pelo autor, em 1993, e isso também diminuiu um pouco minha implicância com a obra.

Duas coisas boas a respeito do livro: me deu vontade de ler outras coisas do mesmo autor e me deu saudade de ler Edgar Allan Poe, que fala de mistério como ninguém e que não leio desde a escola, então lá vou eu!

Tem informação  impressões e comentários sobre o livro no vídeo do canal viverpraler no youtube.

O Inferno de Gabriel – porque não gostei.

Por onde começar?

Uma amiga me falou desse livro. Fiquei maluca pra ler. Comprei em pré-venda. Me arrependi amargamente.
O Inferno de Gabriel conta a história de Julia, uma estudante de mestrado de 23 anos, virgem, inocente, traumatizada, pálida e que se assusta facilmente. Ela é apaixonada por Gabriel, seu orientador de mestrado, especialista em Dante, autoritário, sem educação, com amnésia e sem graça nenhuma.
A história dos dois traça um paralelo com a história de Dante e Beatriz, um paralelo mal feito, tenho certeza que quem gosta da história vai querer matar o cara que a usou para escrever esse livro.
Há muitas partes que não fazem sentido algum na história, por exemplo, o fato de Julia conhecer Gabriel há 6 anos, mas ele não se lembrar. Eles passaram uma noite juntos e se apaixonaram perdidamente para sempre, de corpo e alma, mas ele se esquece disso. Ele tinha bebido muito aquela noite e passa o tempo todo achando que havia sonhado com sua idealizada, amada, adorada, idolatrada Beatriz, e ele chama Julia por esse nome o livro todo (tipo maluco mesmo).
Os anos passaram e então Julia vira sua aluna, 10 anos mais nova e mantém uma paixão enlouquecedora pelo professor, que demora séculos para reconhecê-la e dar uma desculpa idiota e mal feita sobre a razão de não tê-la reconhecido até então. Aí ela passa a alternar entre o desejo por ele e a certeza de que ele não a quer, ainda que ele fale e tente provar o contrário.
A semelhança com “50 tons de cinza” não é mera coincidência. Se eu fosse E L James processaria Sylvain Reynard por plágio imediatamente.
Gabriel é adotado, atormentado, tem desprezo por si mesmo, se acha uma péssima influência, gosta de alimentar Julia, todas as mulheres babam por ele e o desejam, acha que é prejudicial para a vida da garota, se relacionava com mulheres que o usavam como instrumentos sexuais e sadomasoquismo… resumindo ele é o Grey.
Julia é virgem, irritantemente insegura, pálida como um palmito (o narrador enfatiza tanto sua palidez e suas olheiras que eu estava esperando o disgnóstico de uma doença terminal a qualquer momento), acha que nunca será boa o suficiente para um homem tão sexualmente experiente, idolatra o corpo a mente e a alma de Gabriel, acha que o conhece profundamente após uma noite, chega na sala dele derrubando a bolsa e morrendo de vergonha… resumindo, ela é Anastasia.
As palavras utilizadas para descrever os dois chegam a dar enjoo, Julia é uma coelhinha assustada, uma gatinha, uma flor prestes a desabrochar, uma pérola cor de rosa, a luminosidade, as estrelas…. Gabriel é o anjo caído, Lúcifer, o diabo, as trevas, um canalha egoísta.
A tristeza é que a história não se aprofunda em parte alguma, as coisas são jogadas sem serem trabalhadas, os dois vêem tudo no olhar um do outro. Em todas as páginas Julia se encolhe de medo, se surpreende, se assusta, estremece, arregala os olhos, perde o fôlego. E eu não estou exagerando.
Ele vai a boates para procurar mulheres para trepar e ela usa pijamas de pinguins, patinhos e abóboras de haloween. Além da história de Dante e Beatriz ser castigada o livro todo ainda há citações ao Senhor dos Anéis e ao Pequeno Príncipe (oh céus)!!!
Em uma parte do livro, ao vê-la ao lado de outro homem, Gabriel rosna e mostra os dentes, fiquei esperando ele se transformar em lobo e atacar o vampiro, mas não aconteceu. O professor mestre e doutor de 33 anos quer que ela troque de mochila porque outro homem segurou aquelas alças e a mochila está infectada (isso mesmo, aquela brincadeira de “está contaminado” que a gente faz quando está na primeira série).
Julia é tão inocente bela e atraentemente pálida que até o segurança de um clube exclusivo onde homens vão procurar as mulheres para trepar se encanta com ela e fica seu amigo, em 15 segundos de conversa, o dono do restaurante italiano lhe dá comida de graça e a convida a jantar com sua família, o estudando que senta ao seu lado após conhecê-la por dois dias sabe que faria tudo por aquela mulher.
Em uma cena ela faz ovos mexidos para ele e depois os guarda na geladeira. ?
Em outra ele lhe manda um sutiã pelo sistema de recados da faculdade e diz que se mandasse pelo correio a entrega poderia ser rastreada. ??
Em outra ainda melhor ele pede que ela abra uma caixa e ela teme que lá dentro esteja a cabeça cortada de um ex-aluno. ???
Todo esse clima de malignidade que é criado em volta do personagem de Gabriel não se justifica em parte alguma do livro, a história é toda superficial, óbvia e mal escrita. Com passagens infantis e outras que nem chegam a isso.
No final do livro há uma nota dizendo que pouco se sabe sobre esse autor. Pois se eu tivesse escrito uma merda dessa também não ia colocar minha cara em lugar nenhum.
Ps. a continuação do livro, é igual a continuação de “50 tons”, mas quem se surpreende?