Destino e Travessia

Podemos chamar de destino aquilo que nos é arranjado e rearranjado durante toda vida sem levar em conta nossas opiniões, medos e vontade? E o quão difícil é fugir do que nos assombra, nos cerca e nos dá o contorno de toda essa vida?

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Em “Destino” Cássia, adolescente de 17 anos, tem uma incrível surpresa ao saber que a Sociedade cometeu um erro e indicou um Par que não é o melhor para ela, pois baseados em seus dados colhidos durante toda vida até ela sabe que a primeira opção era melhor. Mas na Sociedade não existe possibilidade de escolha, e isso quer dizer que só um é o certo, agora basta saber quem vai fazer essa distinção.

A Sociedade que comanda tudo e todos traz como preceito a melhor qualidade de vida possível para seus cidadão, mas se é exatamente isso que buscamos loucamente hoje, por que será que é assim tão insuportável estar cada vez mais perto do que é considerado perfeito?

Esse livro me fez pensar nesses conceitos que hoje criamos sobre qualidade de vida, alimentação saudável e tudo mais que buscamos para uma vida melhor. É isso mesmo que queremos? É disso mesmo que precisamos?

Às vezes a vida fica tão sofrida que tudo que querermos é que alguém resolva tudo por nós, pois bem, na Sociedade de Cássia isso está acontecendo, mas parece que algumas pessoas não estão satisfeitas e que pessoas serão essas?

Na continuação, “Travessia”, como já diz o título há uma ruptura de valores e busca por respostas, que se torna uma busca por perguntas, porque nem isso antes era feito. Não quero falar muito sobre esse livo porque vou acabar revelando coisas importantes do primeiro. Não dá pra começão pelo segundo…

Gosto muito dessa série e espero pelo terceiro volume, aprecio o que me faz pensar e refletir, ainda que seja uma leitura meio “fantástica e fictícia”, porque nunca se sabe.

Tem vídeo sobre os livros no canal viverpraler do youtube.

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O Príncipe da Névoa

Tem uma coisa que me acontece depois de ler muitos livros e que eu acho extremamente positiva. Consigo algumas vezes separar o autor da história, e foi isso que fiz com esse livro.

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Foi a primeira vez que li Carlos Ruiz Záfon, e acredito pela narrativa e pelo modo como ela conta essa história que ele seja um excelente escritor, mas a história em si não me agradou. Depois de ler voltei ao prefácio e vi que era uma história que ganhou um prêmio num concurso de histórias infanto-juvenis, então entendi um pouco a razão de não 

ter gostado tanto.

Esse foi o primeiro livro escrito pelo autor, em 1993, e isso também diminuiu um pouco minha implicância com a obra.

Duas coisas boas a respeito do livro: me deu vontade de ler outras coisas do mesmo autor e me deu saudade de ler Edgar Allan Poe, que fala de mistério como ninguém e que não leio desde a escola, então lá vou eu!

Tem informação  impressões e comentários sobre o livro no vídeo do canal viverpraler no youtube.

Charlotte Street ou “Como é difícil fazer acontecer”

Quando vi esse livro em uma das gôndolas da Saraiva Megastore do Center Norte pensei ter encontrado aquele livro divertido e apaixonante que é uma delícia de ler. Nos primeiros capítulo já tinha me arrependido, mas quando me forcei a ir além vi que tinha razão no início.

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 Charlotte Street não é um livro sobre um casal apaixonado, mas sim sobre um homem apaixonado, às vezes meio maluco, muitas vezes cheio de fraquezas. Fraquezas essas que me fizeram pensar nas minhas próprias.

As outras personagens do livro são tão importantes quanto a principal, e apesar do humor às vezes um pouco puxado (do começo ao fim com a acara de um autor homem), bastante reais.

Juntos esses amigos e conhecidos constroem uma história que nos remete à nossa própria história, os sonhos que temos, o quanto os deixamos pra depois e o quanto é difícil fazer com que eles aconteçam. Como os amigos nessas horas são tão importantes quanto os obstáculos que nos impulsionam em busca de algo maior.

“Eu gostaria de ter um sonho pra seguir. Um que fosse prático. Não apenas um sonho para sonhar, mas um sonho para tornar realidade.” Abbey

Depois que você entende que Jase é só mais um cara em meio a tantos outros atrás daquilo que todos nós estamos, o livro flui e acaba rapidinho.

“-Quando eu fiz o que fiz, não foi por causa do que quase tivemos. Eu quera o que quase tivemos também também. Levei um pouco mais de tempo para perceber.” Jase

O bom humor masculino do livro se une às incertezas pelas quais Jason transita e aparece o tempo todo na linha tênue entre rir/sentir pena de si mesmo. Mas também é um livro que fala de amor, da forma mais realista de todas, aquele amor sem definição que a gente não entende quando sente, nem pra que ele serve.
 

“Você pode dizer o que quiser sobre o amor, mas você não pode dizer que é bom.” Dev

 
É um livro que vou deixar na estante, que sei que terei vontade de ler novamente, pra rir e refletir sobre o que eu mesma estou fazendo acontecer pra mim.

“-Não me deixe aqui – ele disse, suplicando – Todos os homens parecem gostar de futebol. E você se lembra da última vez que me deixou com homens que entendiam de futebol. Entrei em pânico. Eu disse que tinha um ingresso para o Arsenal versus Brasil. E isso não fazia sentido algum.” Dev