Sheila politicamente incorreta.

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Gail Parent

Você já parou pra pensar no quanto o politicamente incorreto é engraçado?

Troquei esse livro pelo skoob e esperava que fosse o máximo e que eu fosse morrer de rir.   Quando terminei de ler me senti meio enganada pela minha própria expectativa.

Sheila Levine é uma judia solteira vivendo em Nova York desesperadamente louca atrás de um marido, é basicamente um Sex and The City com menos charme. Mas as partes realmente engraçadas da histórias são seus comentários politicamente incorretos, que hoje, 40 anos depois não seriam escritos de forma tão clara. E eu me pegava rindo de cenas em que eu no fundo achava que não devia achar graça nenhuma, afinal eu sou da geração politicamente correta, ou não sou?

As piadas sobre mães e famílias judias também são muito boas, mas como a personagem é judia, parece que há uma liberdade para rir de si mesmo, o que não acontece quando ela fala de “bixas”, “sapatas” e “pretos”.

É óbvio que é um livro mais antigo, porque os termos empregados hoje não passariam por nenhuma revisão de texto.

De um modo geral é um livro que deixa a desejar, até porque quando a gente ri do que acha que não deveria ter graça nenhuma, a contrariedade tende a nos fazer cair mais para o “não gostei” do que para o “recomendo”

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Mistério do começo ao fim – Sob a Redoma de Stephen King

Se você for ler “Sob a Redoma” recomendo que se prepare para baldes e baldes de sangue e pra passar muita raiva, porque quando você acha que alguma coisa vai se resolver, de repente piora tudo.

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Eu vi esse livro pela primeira vez na Saraiva e me interessei já nas primeiras páginas, mas ele é muito caro, consegui uma boa promoção no submarino e então comprei.

Stephen King é mestre nessa literatura que mistura mistério, suspense e ficção científica. Não dá pra saber o assunto certo do livro até terminarmos de ler, porque vamos descobrindo o que está acontecendo junto com os personagens, não há pistas para o leitor.

A história se passa na pequena cidade de Chester’s Mill, onde de repente uma redoma aparece sobre a cidade. Mas os moradores não podem vê-la (pelo menos no início), somente senti-la. Mas até que todos saibam que ela está lá, muitos acidentes acontecem e começam as baixas na cidade, e são tantas no decorrer do livro que você se pergunta se vai sobrar gente suficiente pra terminar a história.

Junto com esse tormento de estarem presos e sem nenhuma possibilidade de sair da cidade, os moradores passam pela experiência de serem liderados pelo segundo vereador da cidade, Big Jim, que é um homem obcecado pelo poder, sociopata e maníaco religioso. Em inúmeras passagens do livro eu quis matar o cara, de verdade.

Enquanto Big Jim comanda a cidade e tenta esconder segredos que ele nunca imaginou que seriam descobertos, alguns moradores tentam se unir para trazer calma e procurar soluções para essa situação. O principal morador da história é Dale Barbara, ou somente Barbie, que estava indo embora quando a redoma apareceu e não pode deixar a cidade. Além dos problemas gerais ainda tem que enfrentar os inimigos que estão presos com ele e que tentam prejudicá-lo a qualquer custo, qualquer mesmo.

Mas o que é esse redoma? De onde vem? Por que está aí e do que é feita? Essa pergunta ecoa no mundo inteiro, desde a pequena cidade até a Casa Branca, onde o presidente dos EUA resolve nomear Barbie o responsável pela situação, mas ninguém que está do lado de fora tem noção do inferno que a cidade isolada vive.

Com uma narrativa impecável, Stephen King começa e deixar pistas para que nós e os moradores passem a seguir e tentar sair dessa situação. As crianças da cidade passam a ser a voz de um mistério que não para de crescer. E acredite, você torce para que algo de bom aconteça em algum momento e que eles estejam certos nas decisões que tomam, mas aparentemente forças maiores tem essa situação nas mãos.

Eu não consegui largar esse livro até o final, morri de raiva em muitos momentos, torci em outros, tive que fechar as páginas e respirar fundo algumas vezes tamanha era minha empolgação. E depois de tudo isso ainda tive vontade de chorar quando achei que tudo estava se resolvendo…

Recomendo o livro, foi uma das melhores leituras do ano até agora.

 

 

 

 

Um certo verão – Chora, chora, chora….

Como já falei no vídeo, chorei nos dez primeiros capítulos do livro sem parar, e nos outros chorei esporadicamente.

A boa notícia é que os capítulos são super curtos, logo, o chororô compulsivo termina rápido…
O livro conta a história de Jack, um pai de três filhos de 34 anos, soldado condecorado, apaixonado pela esposa, e prestes a morre. Jack tem uma doença terminal e não há esperanças, ele usa um calendário para riscar cada dia que passa, esperando pelo Natal, porque quer ver seus filhos abrirem os presentes, mas depois disso sabe que não viverá por muito mais tempo, já que precisa de um balão de oxigênio para respirar, não consegue mais andar e até falar é difícil.
Mas então há uma reviravolta e sua adorável esposa sofre u acidente fatal de carro, deixando Jack viúvo e transtornado, porque agora o que será de seus filho? Contrariando todas as expectativas e os médicos, Jack aos poucos passa a melhorar até estar completamente curado, o que é considerado um milagre.
Depois disso não há nada de muito diferente no livro. Jack vai viver com a família em uma propriedade na praia, pois é um lugar em que se sente mais próximo da esposa falecida. Há bastante pieguice no relacionamento dele com os filhos, mas é uma pieguice controlada. Ou talvez eu esteja numa fase romântica.
Acho que a palavra-chave do livro é: RECONFORTANTE
Apesar de chorar igual uma idiota no início, quando terminei o livro estava com uma sensação boa.

O lado bom da vida – porque todo mundo precisa de amigos

Essa é história de Patrick, contada e pensada por ele mesmo.

Patrick acaba de sair de um Hospital psiquiátrico e precisa se reinserir na família, entender o que está acontecendo com ele e mais que tudo, precisa desesperadamente que sua mulher volte pra ele.
Pat se concentra em mudar tudo que Nikki queria e tudo que ele achava que deveria mudar, lembra de todas as coisas ruins que fez no casamento e se esforça ao máximo para ser uma pessoa diferente, uma pessoa melhor para quando sua esposa voltar, deixando de ter razão e passando a ser gentil. Porque tudo de que Patrick se lembra de seu casamento é o quanto ele era desagradável com sua esposa.
A linha de raciocínio de Pat é infantil, se Nikki (que é sua esposa) fosse um cachorro ele poderia ser uma criança de 6 anos que quer muito que seu bichinho volte pra casa, isso me desmotivou um pouco no início do livro, mas depois que eu entendi o que estava acontecendo com ele, comecei a adorar seu jeito de falar e entender sua linha de raciocínio, que está sempre no limite entre a fantasia e a realidade. Ele acredita, por exemplo, que Deus, Jesus e seu terapeuta o estão testando o tempo todo para ter certeza de que ele é merecedor do prêmio maior que é ter sua mulher de volta.
O discurso dele lembra muito um estágio que fiz no Hospital Psiquiátrico, no começo parece tudo bem, mas de repente ele fala algo totalmente fora da realidade e você passa a desconfiar de tudo que foi dito anteriormente. O terapeuta de Pat diz que “tem que acreditar em tudo que ele diz com sinceridade” e esse é um ponto muito importante na terapia, principalmente quando o paciente não consegue distinguir fantasia de realidade. O que eu mais gostei do livro foi essa descrição da terapia e do que ela significava pra ele.
Pat é de uma sensibilidade incrível, tanto para entender e ler as pessoas, quanto pra se preocupar com elas. Ele é o típico cara de passa por anos de terapia e começa a enxergar as sutilezas do comportamento inclusive de seu próprio terapeuta. Sua sensibilidade aparece em momentos em que para agradar as pessoas à sua volta ele se empenha mais em seu próprio tratamento, mostrando o quanto as relações são importantes para que alguém consiga seguir em frente após passar por uma situação difícil como a dele.
Pra mim o filme deveria ser todo narrado para fazer jus à história, porque toda a narração do livro é de Pat pensando, há muito mais pensamento do que diálogo e ação. Fiquei curiosa para assistir, principalmente depois que a atriz que interpreta Tiffany ganhou o Oscar de melhor atriz, coisa que ele também merecia ganhar no livro! Não a atriz claro, a personagem.
Tiffany é apresentada a Pat e fica difícil escolher quem está mais ferrado. Tiffnny é uma amiga incrível para ele, apesar de parecer o contrário muitas vezes, mas a gente só consegue entender isso no final do livro. Eles desenvolvem um tipo de amizade em que não é preciso falar, aquelas das mais verdadeiras. Dá pra perceber que a importância dessa amizade quando ela ofende algo que é um pilar, uma certeza para Pat, e quando achamos que ele vai ter um surto e agredi-la, acontece algo surpreendente. A necessidade de proteção com Pat por parte da família é admirável, mas não necessariamente saudável e Tiffany quebra isso.
Patrick não sabe quanto tempo se passou desde que foi internado no hospital psiquiátrico e conforme a história vai passando tem medo de descobrir e lembrar das coisas, porque sabe que algo grave aconteceu, esse suspense também envolve o leitor. Pois, como a narrativa é de Pat, acabamos descobrindo tudo junto com ele.
Pat está sempre buscando o lado bom das coisas, pois acha que isso fará dele uma pessoa melhor e fica indignado quando as pessoas em volta dele parecem fazer o contrário. Mas assim como ele quer fazer o certo, também se decepciona quando as pessoas à sua volta erram e para ele é difícil aceitar certas coisas.
Achei o livro bem dramático, mas há um capítulo chamado “A montagem de meu filme” que é simplesmente hilário!
Há um surpresa e um milagre no final do livro. O desfecho é impressionante e finalmente podemos entender porque “Songbird” e Kenny G. são tão insuportáveis para o personagem.

Visita ilustre

Hoje enquanto eu falava ao telefone entrou um passarinho (com cara de “passarinha”) aqui em casa, e quem disse que o bichinho queria ir embora? Ele entrou voando bem rente ao teto e foi logo arrumando um lugarzinho na estante, estre os dvd’s e os livros. Moro no 12°andar e eles ficam passando o tempo todo em frente à janela, e como hoje deixei a janela toda aberta acho que ele pensou que era um convite.
                                  
O problema foi que a Zoe ficou excitadíssima e queria pegar o coitado, aí ele não saía mesmo do lugar. Fiquei com medo de ele se assustar e se machucar, então recorri mais uma vez à minha vizinha Isabel, que sempre me salva quando eu preciso, e ela consegui tirar ele daqui sem nenhum problema.
Antes de sair ele ainda ficou um tempinho em cima da lâmpada, mas depois foi tranquilo.
Quem ficou chateada foi a Zoe que não conseguiu alcançar o passarinho…

O Hobbit – Viver pra ler

Ok, terminei de ler “O Hobbit”, e como fiquei feliz de ler um livro TÃO bom depois de tantas leituras ruins.

O livro trata resumidamente de uma aventura na qual Bilbo – o bolseiro, Gandalf – o mago e mais traze anões travam para buscar um tesouro roubado e que está guardado numa montanha e protegido por um dragão.
A narrativa do livro é deliciosa e o tempo todo o narrador vai conversando com os leitores, com frases engraçadas e espirituosas. Aliás o livro inteiro é permeado por um humor sutil que dá graça a cada capítulo, há muitas músicas e frases de efeito, deu vontade de assitir o filme pra ouvir as músicas, minha preferida é uma cantada pelos Orcs no capítulo Montanha acima, montanha a dentro“.
Bate! Rebate! É opaco o buraco!
Agarra, pestica! Prende, belisca!
Descendo, descendo à cidade dos orcs
Se vai, meu rapaz!
 
Quebra, requebra! Esmigalha, estraçalha!
Martelos e travas! Gongos e aldravas!
Soca, soca, no fundo da toca!
Ho! ho!, meu rapaz.
 
Zunido, estalido! Chicote, estampido!
Bate e martela! Chora e tagarela!
Trabalha, trabalha e não atrapalha!
Em meio à bebida, alegres da vida,
Os orcs tocam no fundo da toca
Lá embaixo, rapaz!
 
Esse jeito de conversar o tempo todo com o leitor, inclusive nos preparando para o que vem a seguir, me lembrou muito “Desventuras em séries”, e há também uma parte em que uma cena de Up-Altas Aventuras me veio na cabeça, isso sem contar é claro Harry Potter.
Gandalf é o personagem menos presente na história e é também o que eu menos gosto, essa coisa de ele saber tudo com antecedência e não explicar nada é meio irritante. Mas Bilbo e os anões tem um respeito imenso por ele, e é Gandalf quem coloca uma pulga atrás da orelha de todos ao elogiar tanto o Hobbit que no começo parece a pessoa menos provável a ajudar alguém a buscar um tesouro que está longe, e muito bem guardado. Com o passar da história o próprio Bilbo vai se vendo de maneira diferente e em algumas partes em que fala de si mesmo é possível ver a diferença que ele mesmo sente.
Acredito que a parte mais difícil (ou única parte difícil) de se entender é a descrição geográfica dos lugares, mas vejam bem, eu não tenho o menos senso de direção, logo não sou confiável nesse ponto.
A partir do meio do livro eu li sem parar e fiquei com aquela vontade que Às vezes bate de conhecer o personagem do livro, acontece com vocês? Queria tanto conhecer o Bilbo! rs A saudade que ele sente de casa chega a ser tocante. Claro que há partes tristes, mas elas passam rápidas e não ão muito detalhadas, mas já me preparei pra chorar no filme.
Os anões são muito instáveis e têm com Bilbo uma relação de amor e ódio do começo ao fim, mas é lindo ver como estão uns pelos outros quando mais precisam.
Eu adorei a leitura esse livro, e agora vou em busca de Senhor dos Anéis.