O lado bom da vida – porque todo mundo precisa de amigos

Essa é história de Patrick, contada e pensada por ele mesmo.

Patrick acaba de sair de um Hospital psiquiátrico e precisa se reinserir na família, entender o que está acontecendo com ele e mais que tudo, precisa desesperadamente que sua mulher volte pra ele.
Pat se concentra em mudar tudo que Nikki queria e tudo que ele achava que deveria mudar, lembra de todas as coisas ruins que fez no casamento e se esforça ao máximo para ser uma pessoa diferente, uma pessoa melhor para quando sua esposa voltar, deixando de ter razão e passando a ser gentil. Porque tudo de que Patrick se lembra de seu casamento é o quanto ele era desagradável com sua esposa.
A linha de raciocínio de Pat é infantil, se Nikki (que é sua esposa) fosse um cachorro ele poderia ser uma criança de 6 anos que quer muito que seu bichinho volte pra casa, isso me desmotivou um pouco no início do livro, mas depois que eu entendi o que estava acontecendo com ele, comecei a adorar seu jeito de falar e entender sua linha de raciocínio, que está sempre no limite entre a fantasia e a realidade. Ele acredita, por exemplo, que Deus, Jesus e seu terapeuta o estão testando o tempo todo para ter certeza de que ele é merecedor do prêmio maior que é ter sua mulher de volta.
O discurso dele lembra muito um estágio que fiz no Hospital Psiquiátrico, no começo parece tudo bem, mas de repente ele fala algo totalmente fora da realidade e você passa a desconfiar de tudo que foi dito anteriormente. O terapeuta de Pat diz que “tem que acreditar em tudo que ele diz com sinceridade” e esse é um ponto muito importante na terapia, principalmente quando o paciente não consegue distinguir fantasia de realidade. O que eu mais gostei do livro foi essa descrição da terapia e do que ela significava pra ele.
Pat é de uma sensibilidade incrível, tanto para entender e ler as pessoas, quanto pra se preocupar com elas. Ele é o típico cara de passa por anos de terapia e começa a enxergar as sutilezas do comportamento inclusive de seu próprio terapeuta. Sua sensibilidade aparece em momentos em que para agradar as pessoas à sua volta ele se empenha mais em seu próprio tratamento, mostrando o quanto as relações são importantes para que alguém consiga seguir em frente após passar por uma situação difícil como a dele.
Pra mim o filme deveria ser todo narrado para fazer jus à história, porque toda a narração do livro é de Pat pensando, há muito mais pensamento do que diálogo e ação. Fiquei curiosa para assistir, principalmente depois que a atriz que interpreta Tiffany ganhou o Oscar de melhor atriz, coisa que ele também merecia ganhar no livro! Não a atriz claro, a personagem.
Tiffany é apresentada a Pat e fica difícil escolher quem está mais ferrado. Tiffnny é uma amiga incrível para ele, apesar de parecer o contrário muitas vezes, mas a gente só consegue entender isso no final do livro. Eles desenvolvem um tipo de amizade em que não é preciso falar, aquelas das mais verdadeiras. Dá pra perceber que a importância dessa amizade quando ela ofende algo que é um pilar, uma certeza para Pat, e quando achamos que ele vai ter um surto e agredi-la, acontece algo surpreendente. A necessidade de proteção com Pat por parte da família é admirável, mas não necessariamente saudável e Tiffany quebra isso.
Patrick não sabe quanto tempo se passou desde que foi internado no hospital psiquiátrico e conforme a história vai passando tem medo de descobrir e lembrar das coisas, porque sabe que algo grave aconteceu, esse suspense também envolve o leitor. Pois, como a narrativa é de Pat, acabamos descobrindo tudo junto com ele.
Pat está sempre buscando o lado bom das coisas, pois acha que isso fará dele uma pessoa melhor e fica indignado quando as pessoas em volta dele parecem fazer o contrário. Mas assim como ele quer fazer o certo, também se decepciona quando as pessoas à sua volta erram e para ele é difícil aceitar certas coisas.
Achei o livro bem dramático, mas há um capítulo chamado “A montagem de meu filme” que é simplesmente hilário!
Há um surpresa e um milagre no final do livro. O desfecho é impressionante e finalmente podemos entender porque “Songbird” e Kenny G. são tão insuportáveis para o personagem.
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