O Começo do Adeus e mais de Anne Tyler

Anne Tyler é uma das minhas autoras favoritas e eu fiquei imensamente feliz quando vi esse último livro lançado aqui no Brasil, já faz muito tempo desde que eu li o último dela que saiu por aqui.

Quando o livro chegou me surpreendi porque achei ele muito fininho, e os livros dela costumam ser maiores, li em dois dias. A narrativa tem um quê de Anne Tyler, mas a história parece ter sido escrita por outra autora. O livro é rápido, e a leitura dessa autora costuma ser mais densa, mais lenta. Mas a história difere muito dos outros livros que tenho da autora, que estão na foto mais abaixo.
Anne Tyler costuma ter histórias que não têm fim, ou seja, não têm um desfecho delineado, são histórias que você lê sem perceber para onde vão e muitas vezes vão a lugar nenhum, mas não de uma forma ruim, mas sim de uma forma natural. É como nossa vida que não tem acontecimentos fechados, passando de um para o outro, mas sim coisas que acontecem concomitantemente com outras mais ou menos importantes. É um estilo de leitura que me fisgou desde o primeiro livro que li: “Em Busca da América”.
Talvez por isso esse último livro me tenha sido tão insatisfatório. É uma história com começo, meio e fim. E um final feliz ainda por cima. Vejam bem, não estou dizendo que não gosto de livros com finais felizes, eu gosto sim, mas não é o estilo dela e nem ficou bem. É um dos muitos livros que eu li e que parecem ser um rascunho para uma possível obra original que seria muito boa, mas que foi entregue antes de o autor conseguir escrever e desenvolver mais. Dei nota 2 no skoob, que é um sistema bobo de classificação, mas tem tudo a ver com meu desapontamento.
Trata-se da história de um editor de livros que perde sua mulher, uma médica em um acidente pouco comum. E após alguns meses passa a vê-la em lugares em que eles frequentaram juntos. Mas esses encontros não são pontos altos no livro, não oferecem grandes diálogos e algumas vezes são confusos, porque no início do livro dá a impressão de que as pessoas vão vê-la e compartilhar dessas aparições, mas com o passar da história isso não acontece.
Aaron, o viúvo, constrói uma vida vazia pós-morte da esposa, vivendo o luto, mas não com as cinco fases que a gente conhece. E a melhor parte da trama fala sobre seus relacionamentos com a irmã e colegas de trabalho. É aí que se vê a presença forte de Anne Tyler, descrevendo sentimentos e diálogos corriqueiros de maneira simples, natural, mas extremamente observadora. Essa autora sempre me pareceu ser uma pessoa muito observadora e curiosa do comportamento humano, porque descreve com detalhes muito ricos até as sensações mais passageiras que temos no dia a dia.

O problema, na minha opinião, é que a história caminha para um final previsível e essa riqueza que é característica dela dura pouco e aparece em poucos momentos, indo logo pro final de um livro curto, em uma história sem graça que prometia muito, mas cumpriu pouco.

Além disso, gostaria de fazer uma pergunta: quem foi que escolheu a capa desse livro? Que não tem nada a ver com as personagens nem com a história. Por que Editora Novo Conceito, de novo por quê?No vídeo que está no canal, falo um pouco sobre cada livro, não é uma resenha detalhada porque os li há muitos anos, mas dá pra ter uma boa noção e se vocês aceitam uma dica: leiam Anne Tyler!

 

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